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Enoturismo é um produto turístico que mostra seu potêncial na Bahia
Passear pelos vinhedos, participar da colheita da uva, conhecer de perto o preparo do vinho. Esse já foi um sonho distante para muita gente. Um roteiro que, até alguns anos, só seria possível na Europa ou no sul do Brasil, mas que está se consolidando no Nordeste, na região baiana do Vale do São Francisco, segundo pólo produtor do vinho nacional.
Os roteiros incluem city-tour na cidade de Juazeiro e visita à Barragem do Sobradinho, para ver de perto o maior lago artificial do mundo e a eclusagem, uma espécie de elevador, que sobe e desce em função da água que entra e sai do reservatório. A gastronomia local pode ser apreciada no Bodódromo, espaço com dez restaurantes que servem carne de bode, de carneiro e outras comidas típicas do Sertão.
“Nós temos um produto turístico de excelente qualidade que é o vinho e a comida dos Lagos do São Francisco, que se harmonizam perfeitamente. A carne de bode pode ser degustada com o vinho de uva Shiraz e o surubim com o espumante produzido na região. Quem gosta de vinho gosta de uma boa comida!”, explica a presidente da Bahiatursa, Emília Salvador Silva.
Dentro da política de ampliação e consolidação de mais um roteiro turístico no Estado, a Secretaria de Turismo e a Bahiatursa colocaram este destino na lista de prioridades. O projeto de expansão baseia-se na estratégia de mercado chamada the dream society, a “sociedade dos sonhos”. O estudo aponta uma nova onda de consumidores que desejam pacotes formatados de acordo com os seus interesses, levando em consideração a possibilidade de viver novas experiências. O mercado enxerga um consumidor mais exigente e ciente da possibilidade de construir suas aventuras e vivenciar as suas próprias emoções. “A beleza da região e sua vocação como produtora de vinhos finos a torna um ponto turístico potencial para o brasileiro e para os estrangeiros”, afirma o sócio-proprietário da Vinícola Lovara, integrante da Miolo Wine Group, Eurico Benedetti.
Não foi à toa que, no município de Casa Nova, as empresas gaúchas Miolo/Lovara fizeram alto investimento e pretendem apostar ainda mais. Uma produção de vinhos jovens, que bateu recordes de comercialização no território nacional, seduziu parceiros estrangeiros e conquistou consumidores da França, Alemanha, República Tcheca e Estados Unidos. Desde que o semi-árido baiano, às margens do Rio São Francisco, mostrou o seu grande potencial como produtor de frutas de boa qualidade, as uvas ganharam um papel de destaque junto aos compradores internacionais.
Hoje, a Vinícola Fazenda Ouro Verde, sede do projeto industrial destas duas empresas, desponta como o principal segmento do grupo na produção de vinhos jovens, brancos e tintos, e um promissor celeiro de produtos derivados, alvo, inclusive, de parcerias internacionais.
O projeto vive agora um novo momento de ampliação para abrigar novas tecnologias, aumentar a capacidade instalada e diversificar a produção. O complexo integra um investimento de R$ 30 milhões iniciado em 2001 que prevê a ampliação da capacidade da vinícola para 10 milhões de litros/ano. Serão gerados ao todo 300 empregos, sendo 150 diretos e 150 indiretos. “Em 11 de outubro teremos a inauguração da estrutura de receptivo da Fazenda Ouro Verde que trará uma sala de degustação e venda de produtos associados ao vinho, como cosméticos por exemplo”, disse Emília.
O alto teor de açúcar é a principal marca dos vinhos do Vale do São Francisco, característica provocada pela exposição ao sol durante mais de três mil horas por ano. A qualidade dos vinhos vem sendo reconhecida com a conquista de inúmeras medalhas de ouro e de prata em concursos nacionais e internacionais. Os vinhos produzidos são Reserve Cabernet Sauvignon/Shiraz, Shiraz, Dry Muscat e Late Haverst e os espumantes Moscatel, Brut e Demi-sec. A consultoria é do maior enólogo do mundo: Michel Rolland.
“A região do Vele do São Francisco possui bons hotéis e vai ficar ainda melhor. A atividade turística tem o poder de fomentar o desenvolvimento e levar melhorias. Cada vez que o fluxo vai aumentando, a economia vai crescendo e a população passa a investir mais no seu próprio negócio. O Enoturismo é um segmento recente no turismo mundial. Surgiu em 1995 na Itália e se disseminou. No Brasil existe o Vale dos Vinhedos que alavancou o desenvolvimento na região do Rio Grande do Sul. Lá eles recebem milhares de turistas com toda a infra-estrutura necessária. Aqui nós faremos a mesma coisa”, finaliza Emília.
Ascom/Bahiatursa
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