Todas as tribos se unem no forró do São João da Bahia

A banda Calcinha Preta, uma das vertentes do forró presentes no Centro Histórico Foto: Elói Corrêa/GOVBA

Banda Calcinha Preta, uma das vertentes do forró presentes no Centro Histórico   Foto: Elói Corrêa/GOVBA

Agarradinho ou sozinho, homem e mulher, homem com homem, mulher com mulher – a única coisa impossível, na segunda-feira (22), foi alguém ficar parado nas praças e largos do Pelourinho, no Centro Histórico de Salvador. O forró, em suas diversas vertentes, reuniu todas as tribos em uma só nação junina onde a ordem da noite foi se divertir.

As atrações Calcinha Preta, Val Macambira, Forrozão, Israel Novaes e Cristiano Araújo animaram o Terreiro de Jesus. Já nos largos Pedro Arcanjo, Quincas Berro D’Água e Tereza Batista, no Pelourinho, dezenas de artistas fizeram a alegria de famílias, baianos e turistas.

O biólogo Joca Moreira, 29 anos, acompanhado de 15 pessoas, foi ao Largo Tereza Batista dançar o forró, que ensaia com amigos durante o ano. “Temos um grupo de forró, mas nesta época a gente vem se divertir”. Ele diz que começou a dançar para se aproximar das mulheres e vencer a timidez. “Mas acabei me aproximando também da música e da dança”.

Joca dançou ao som do forrozeiro Júlio Cezar. “Todo ano participo do São João aqui no Pelourinho. Gosto de tocar nos largos porque as pessoas vêm ouvir música de qualidade e  trazer a família. A gente alcança quem gosta do forró, quem vem para dançar”, diz Júlio.

Pedro Arcanjo e Quincas Berro D’Água

No Largo Pedro Arcanjo, o professor Tiago Cropalato, 33, e a namorada, Adriana Lima, 22, técnica em edificações, ambos moradores do bairro da Mata Escura, tiraram a noite para dançar, com mais cinco amigos, ao som do grupo Zabumbaião e outras atrações.

“Este ano não viajei e vi que a grade de atrações aqui estava muito boa. Eu optei por vir ao largo porque o ambiente é muito bom”, observa Tiago. Adriana afirma que não ficou triste por não viajar este ano. “Geralmente vou para o interior, mas a festa e a programação do Pelourinho estão ótimas. Vamos voltar amanhã ou depois”.

O uruguaio Jorge Zarath deu o tom do arrasta-pé no Largo Quincas Berro D’Água. A estudante Talita Silva, 18, pelo segundo dia consecutivo se divertia no local. “Eu gosto do ritmo, uma mistura de forró, merengue, axé, e, como eu não viajei, aqui foi a melhor opção”.

A amiga Thaís Silva, 16, concorda. “Essa mistura representa bem a cultura da Bahia. É muito bom vir dançar”. As duas estavam acompanhando o mecânico José Irineu. “O melhor do Pelô é que todas as praças são boas. É difícil até escolher o lugar para ir”, disse ele.

Recorde a ser batido

Viviane Castro, 27, moradora da Caixa D’Água, afirmou que sabe cantar de cor todas as músicas do Calcinha Preta, que se apresentou no Terreiro de Jesus. “Eu vim hoje só para dançar e volto amanhã [terça, 23]. Este ano, a festa está muito organizada”.

O cantor Marlus Viana, do Calcinha Preta, contou que a banda sergipana tem 20 anos de estrada e Salvador faz parte dessa história. “Nosso maior show foi na capital baiana, onde gravamos nosso DVD, com mais de 100 mil pessoas, um recorde a ser batido”.

O forrozeiro Val Macambira, da Paraíba, tem 30 anos de carreira. “Sou figura carimbada no Pelourinho. Toco aqui há cerca de oito anos. Este forró está maravilhoso. Por meio da Bahiatursa e da TVE, o Governo do Estado reconhece o valor da nossa cultura”.

Para Macambira, um dos diferenciais da Bahia é o apoio a quem está começando. “Abrir espaço para os novos é importante. Há ritmos que estão praticamente morrendo por não haver gente nova no mercado. A Bahia e o Nordeste são uma garantia de que as festas juninas não vão morrer”.

Veja a cobertura completa do São João da Bahia.

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