Salvador e Recôncavo Baiano oferecem roteiros de turismo étnico

Panorâmica Cachoeira e São Félix Ba. Foto Rita Barreto (8703)1

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Além do turismo de sol e praia, dos grandes eventos como carnaval, réveillon, da cultura e do patrimônio histórico, quem vier à Bahia tem também a opção do turismo étnico afro, com roteiros pela capital e Recôncavo Baiano.

Em Salvador, com mais de 80% da população afrodescendente, a cultura de matriz africana faz parte dos principais atrativos consumidos por turistas. A herança está presente na culinária baiana, na capoeira, no artesanato, nas roupas, nos penteados, nos trançados da palha e da piaçava, na arte em barro, nas igrejas e em muitas manifestações culturais.

Fora de Salvador, em cidades como Cachoeira, Santo Amaro, São Francisco do Conde e Maragojipe, onde o turismo étnico afro é a atração principal, os visitantes encontram opções de passeios a comunidades remanescentes de quilombos, que incluem trilhas pela natureza, manifestações culturais como capoeira, samba e principalmente visitas a  igrejas, sedes de irmandades e terreiros de Candomblé.

Na capital baiana, um dos atrativos é o bairro da Liberdade, com a maior população afrodescendente do país, cerca de 600 mil habitantes, onde outro destaque é o bloco afro Ilê Aiyê, fundado em 1974, pioneiro em trabalhos de inclusão social e valorização das raízes negras. Visitas aos projetos da entidade, além dos shows da banda, na Senzala do Barro Preto, no Curuzu, encantam os turistas.

O visitante pode se guiar, em Salvador, pelo “Caminho dos Orixás”, um roteiro  promovido pela Bahiatursa com sete opções de passeios.  Neles estão incluídos os principais terreiros de Candomblé, como a Casa Branca e o Ilê Axé Oxumaré (Rio Vermelho), o Gantois (Federação) e o Ilê Axé Opô Afonjá (São Gonçalo do Retiro), todos com museus e projetos sociais.

Um dos roteiros mais apreciados é o do Centro Histórico e a Cidade Baixa, com o Mercado Modelo, Elevador Lacerda, Santo Antônio Além do Carmo (onde fica o Forte da Capoeira) e Igreja do Rosário dos Pretos, templo católico, localizado no Pelourinho, restaurado pelo governo do Estado e governo Federal.  Iniciado em 1704, foi construído com dinheiro e trabalho de escravos, durante um século.

Recôncavo Baiano

Em Cachoeira, a 110 quilômetros de Salvador, os turistas podem conhecer a Rota da Liberdade, um projeto formado por 19 guias que fazem parte das próprias comunidades, onde são capacitados em história e geografia regionais, primeiros-socorros e condução de trilhas. O roteiro envolve seis comunidades quilombolas do município: Kaonge, São Francisco do Paraguaçu, Dendê, Engenho da Ponte, Engenho da Praia e Camboa. Seus principais roteiros são o Dia a dia, Histórico e Trilha Griô Caravanas dos Orixás.

No primeiro roteiro, o visitante dispõe de um passeio compacto pelos aspectos culturais e históricos de apenas uma comunidade escolhida pelo próprio grupo. No local, podem ser acompanhados alguns processos como a produção de farinha, do azeite de dendê, de xaropes, além do contato com as rezadeiras e griôs do terreiro local. Também há apresentações culturais.

Com o roteiro histórico, o grupo pode fazer o percurso de barco, passando pelo Convento de Santo Antônio, pela Igreja Matriz de Santiago do Iguape, Gamboa de Pau, o cultivo de ostras, pela Igreja de Nossa Senhora da Conceição e também pelos manguezais da região. O trajeto depende da maré e o caminho alternativo é fazer o percurso de carro.

 Já o roteiro Trilha Griô Caravanas dos Orixás percorre a comunidade do Engenho da Ponte, com visita à igreja do local, seguida de palestras com os mestres griôs das comunidades e apresentação da esmola cantada; podem acompanhar também a produção de azeite de dendê, de farinha, de xaropes, seguida de visita ao terreiro, além de apresentações de samba-de- roda e dança quilombola. No local, os visitantes podem adquirir produtos feitos pelos próprios moradores, como colares, farinha, azeite de dendê, mel, doces, dentre outros.

Em São Francisco do Conde, a 66 quilômetros de Salvador, o samba-de-roda do Recôncavo, fortemente ligado às danças africanas, também é destaque. Há exemplos de variações, como a batucada (ou batuque, dançada em roda); samba corrido (alternam-se um ou dois solistas e a resposta vocal do coro); chula (de versos ou chulas em que somente uma pessoa samba por vez); e samba de lata (típico da comunidade quilombola de Tijuaçu, Senhor do Bonfim, de batucada em lata de água).

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