Quilombos de Cachoeira divulgam a Rota da Liberdade na Festa da Boa Morte, em agosto

Comunidades quilombolas de Cachoeira se preparam para receber turistas durante a Festa da Boa Morte, uma das manifestações religiosas mais significativas do mundo, que será realizada de 12 a 15 de agosto. Neste sábado (28), a comunidade do Kaonge apresentou o projeto Rota da Liberdade a representantes de agências e guias de turismo, de Organizações Não Governamentais(Ongs) e estudantes estrangeiros para ajudar na divulgação e comercialização do roteiro. A iniciativa conta com o apoio da Secretaria de Turismo do Estado (Setur), do Instituto Votorantim e do Sebrae.

O projeto é desenvolvido por um grupo de turismo étnico de base comunitária e visa estabelecer um contato direto com os aspectos culturais e históricos que permeiam um quilombo. Durante os festejos da festa religiosa Boa Morte, o projeto contará com duas vans, na sede de Cachoeira, para conduzir os visitantes que quiserem visitar os roteiros. O transporte será feito em dois horários diferentes: às 9h e às 14h. O passeio custa R$35 por pessoa e quem estiver com seu próprio veículo poderá fazer o roteiro por um preço mais em conta.

Durante o encontro, o grupo conheceu de perto o roteiro Dia a Dia, que propõe ao visitante um passeio compacto pelos aspectos culturais e históricos da comunidade do Kaonge. No local, os visitantes puderam acompanhar alguns processos como a produção de farinha, de azeite de dendê e de xaropes naturais, além do contato com as rezadeiras e griôs do terreiro local. Eles também assistiram a palestras e apresentações culturais.

A assessora técnica da Produção Associada ao Turismo e da Economia Criativa da Setur, Marla Sampaio, ressaltou a importância deste contato para a comunidade. “Precisamos trabalhar aqui dois eixos importantes: o da inovação e da produção associada ao turismo. Dessa forma o roteiro pode ser aprimorado e também comercializado, sem esquecer do foco nos festejos da Boa Morte”, disse Marla.

Na Rota da Liberdade também há o estimulo a autonomia socioeconômica da região, com base na produção associada ao turismo, através da economia solidária. A estudante americana, Erin Mckenna, veio à Bahia para fazer um estudo da sua tese de doutorado, que tem como tema o turismo e a imersão cultural e resolveu conhecer o projeto. “Eu gostei bastante. Acho que o projeto tem uma boa proposta para o turista e essa interação com a comunidade é ótima”, disse Mckenna, que fica no Estado até o mês de agosto e retorna aos Estados Unidos em novembro para dar seguimento a sua pesquisa.

A diretora da agência ProWorld Brasil, Judy Durkin, falou do interesse em divulgar o projeto. “Eu já tinha planejado visitar esta comunidade antes, mas não deu certo. Hoje fui convidada e achei a experiência espetacular. Me interessei pelo roteiro. Ele tem uma parte educacional muito boa. Além disso, todos foram muito receptivos com o grupo”, disse Judy.

Para mais informações sobre a Rota da Liberdade e agendamento de visitas basta entrar em contato com Tiago Mendes (Consultor do Sebrae) pelo telefone (75) 9981-7921 ou com Andreza Viana (representante do Quilombo) pelo telefone (71) 9607-1452.

Rota da Liberdade- O projeto é formado por 19 guias que fazem parte das próprias comunidades, que são capacitados em história e geografia regionais, primeiros-socorros e condução de trilhas. O roteiro envolve seis comunidades do município: Kaonge, São Francisco do Paraguaçu, Dendê, Engenho da Ponte, Engenho da Praia e Camboa. Seus principais roteiros são o Dia a dia, Histórico e Trilha Griô Caravanas dos Orixás.

No primeiro roteiro, o visitante dispõe de um passeio compacto pelos aspectos culturais e históricos de apenas uma comunidade escolhida pelo próprio grupo. No local, podem ser acompanhados alguns processos como a produção de farinha, de azeite de dendê, de xaropes, além do contato com as rezadeiras e griôs do terreiro local. Também há apresentações culturais.

Com o roteiro histórico, o grupo pode fazer o percurso de barco, passando pelo Convento de Santo Antônio, pela Igreja Matriz de Santiago do Iguape, Camboa de Pau, o cultivo de ostras, pela Igreja de Nossa Senhora da Conceição e também pelos manguezais da região. O trajeto depende da maré e o caminho alternativo é fazer o percurso de carro.

Já o roteiro Trilha Griô Caravanas dos Orixás percorre a comunidade do Engenho da Ponte, com visita à igreja do local, seguida de palestras com os mestres griôs das comunidades e apresentação da esmola cantada; podem acompanhar também a produção de azeite de dendê, de farinha, de xaropes, seguida de visita ao terreiro, além de apresentações de samba de roda e dança quilombola. No local, os visitantes podem adquirir produtos feitos pelos próprios moradores, como colares, farinha, azeite de dendê, mel, doces, dentre outros.

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