Devotos de todo o país reverenciam o Senhor do Bonfim na capital baiana

Os fiéis cumpriram o conhecido ritual de andar oito quilômetros a pé, subir a colina sagrada e tomar banho de água de cheiro Foto: Tatiana Azeviche/ Setur

Fiéis cumpriram ritual de andar oito quilômetros a pé e subir a colina sagrada Foto: Tatiana Azeviche/ Setur

A tradicional Lavagem do Bonfim reuniu milhares de devotos, nesta quinta-feira (16), na capital baiana, para celebrar o dia do Nosso Senhor do Bonfim. Com trajes na cor branca, que representa o santo, os fiéis cumpriram o conhecido ritual de andar oito quilômetros a pé, subir a colina sagrada, tomar banho de água de cheiro, além de agradecer e pedir novas graças ao homenageado.

Com 260 anos de história, a Lavagem do Bonfim é a segunda maior festa popular do Estado, ficando atrás apenas do Carnaval. Na colina sagrada, o padre Edson Menezes recebeu o povo do alto da igreja, tendo às mãos a imagem do Senhor do Bonfim, de onde deu a bênção para a multidão de baianos e turistas que fazem da lavagem a maior festa popular da Bahia, depois do Carnaval. “Levem para suas casas, suas cidades, seus estados e seus países as bênçãos do Senhor do Bonfim”. Ao som do hino do padroeiro do coração dos baianos, o povo, de mãos estendidas, pedia proteção e agradecia as graças alcançadas em 2013.

Movidos pela fé, os fiéis iniciaram a caminhada pela Basílica Nossa Senhora da Conceição da Praia, no Comércio, até a Basílica Santuário Senhor Bom Jesus do Bonfim. Marcada pelo sincretismo religioso, unindo devotos católicos e os do Candomblé, a famosa lavagem é o lado profano das festividades em homenagem ao Senhor do Bonfim. Nesta quinta-feira mais esperada do ano, baianos e visitantes não só de outros estados, mas de diversas partes do mundo, reverenciaram aquele que é considerado o padroeiro do coração da Bahia e que é sincretizado como Oxalá nas religiões de matriz africana.

Vestidos de branco, conforme a tradição, esbanjando energia e fé, o casal de baianos Dinéa e José Farias, de 76 e 78 anos, respectivamente, acompanhou o tradicional cortejo desde a Conceição da Praia até a colina sagrada. “Quem tem fé vai a pé”, disse Dinéa, que participa da Lavagem do Bonfim junto com o marido há duas décadas. Durante a caminhada, o casal explicou que também desfila com o bloco Eva, no Carnaval de Salvador, há 22 anos. “Também já fizemos a trilha da Cachoeira da Fumaça, em Palmeiras, juntos”, contou José, orgulhoso, mostrando o gosto por poder prestigiar os atrativos culturais e naturais do Estado.

Tipicamente trajadas, as baianas realizaram o tradicional cortejo, acompanhadas por populares, turistas, autoridades, todos trajados de branco, rumo à Basílica Santuário Senhor Bom Jesus do Bonfim, e realizaram a denominada Lavagem de Corpo e Alma. Na chegada, a partir do meio-dia, além da bênção solene, muitos conseguem tomar o banho perfumado, oferecido pelas baianas que fazem a lavagem, propriamente dita, do adro e escadarias do templo, com um líquido perfumado, levado em potes, com flores. Embora a igreja fique fechada à visitação, a imagem do Nosso Senhor do Bonfim fica exposta na porta para veneração.

Momento de pagar promessas, agradecer as graças alcançadas, pedir bênçãos e renovar as energias. Subir a colina sagrada é a prova maior de devoção. Animados por uma bandinha, os fiéis, com camisas e bonés padronizados carregavam, ao longo do percurso, faixas, cartazes e tabuletas com frases que expressavam o desejo de paz, defesa da vida e da dignidade humana, justiça contra a intolerância religiosa e pedindo o combate à violência.

 Os médicos André Yamamoto e Gabriel Godoy vieram de São Paulo para ficar na Bahia e descobriram os encantos da Lavagem do Bonfim. “Ficamos em Salvador um dia e seguimos para Lençóis. Foram 10 dias lá. Hoje estamos aqui no Bonfim. Adiantamos nosso retorno a Salvador em um dia para poder participar da festa e voltaremos amanhã. Adorei a energia da festa, com todo mundo vestido de branco, muito alto-astral. Com certeza recomendarei a Festa do Bonfim para outros amigos e voltarei”, contou o residente em otorrinolaringologia, de 27 anos, que visita o Estado pela primeira vez. A opinião de André foi compartilhada por Gabriel, de 26 anos: “Vale muito a pena aproveitar”.

Patrimônio Imaterial- Nesta quarta-feira (15), a Lavagem do Bonfim recebeu o título de Patrimônio Imaterial Nacional, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O registro foi aprovado no dia 5 de junho de 2013 pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural.

 

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