Festa da Lavagem do Bonfim reúne cerca de um milhão de pessoas

Inicio dos festejos em culto ecumênico na Conceição da Praia Fotos: Rita Barreto/ Bahiatursa

Inicio dos festejos em culto ecumênico na Conceição da Praia Fotos: Rita Barreto/ Bahiatursa

Um culto ecumênico realizado no adro da Basílica da Conceição da Praia deu início à festa da Lavagem do Bonfim, que reuniu cerca de um milhão de pessoas seguindo o cortejo por oito quilômetros em direção à Colina Sagrada.

A fé e a espontaneidade deram o tom em uma das mais tradicionais manifestações religiosas do Brasil, que é comandada pelas baianas com trajes típicos – turbantes, saias engomadas, braceletes e colares – e vasos com água de cheiro.

Presidente da Bahiatursa Diogo Medrado com o secretário  do Turismo, Nelson Pelegrino Foto: Tatiana Azeviche/ Setur

Presidente da Bahiatursa, Diogo Medrado, com secretário do Turismo, Nelson Pelegrino F: Tatiana Azeviche/Setur

“A Lavagem do Bonfim tem um significado religioso de repercussão internacional. As baianas são um ícone da nossa cultura afrodescendente”, disse Diogo Medrado, presidente da Bahiatursa, acrescentando que a festa significa “as boas vindas da Bahia aos milhares de turistas que estão em nossa capital”.

Considerada a segunda maior manifestação popular da Bahia, perdendo apenas para o Carnaval, a Lavagem do Bonfim é um ritual que se repete todos os anos, desde 1754, sempre na segunda quinta-feira, depois do Dia de Reis, no mês de janeiro.

O paulista Rafael Oliveira participou da festa pela segunda vez "Nunca vi igual

O paulista Rafael Oliveira participou da festa pela segunda vez:  “Nunca vi igual”

Bandas, manifestações, grupos de mascarados, capoeiristas, turistas e o povo em geral começaram a ocupar as cercanias da Basílica da Conceição da Praia, logo no início da manhã. Rafael Oliveira, doutorando em ciências da computação, era pura animação.

Rafael participou da Corrida Sagrada, cuja largada foi dada antes da saída do cortejo das baianas. Natural de São Carlos, em São Paulo, ele disse que mora em Salvador há cinco anos. É a segunda vez que participa da festa, que nunca viu igual.

Índia Flores levou 300 rosas para vender na saída do cortejo da Lavagem

Índia Flores levou 300 rosas para vender na saída do cortejo da Lavagem

Do mesmo modo, a florista Índia Flores estava entusiasmada, mas disse que não podia ficar por muito tempo. Ela levou 300 flores e esperava vender todas ainda na saída do cortejo da Lavagem.

Ângela Maria; quitutes variados na porta do Elevador Lacerda

Ângela Maria: quitutes variados na porta do Elevador Lacerda

A baiana Ângela Maria de Souza, que mora no Cabula VI, esbanjava simpatia vendendo acarajé, feijoada, mingau, bolos e café.

HISTÓRICO - Os registros indicam que a  Lavagem começou com a tarefa de os escravos prepararem o templo para o domingo festivo. As mulheres iam com seus trajes brancos e torços na cabeça, como era a tradição. A água era colhida de uma fonte localizada no bairro e levada à colina sagrada pelos aguadeiros, no lombo de burros, momento em que se fazia a festa.

O Senhor do Bonfim é considerado o padroeiro de coração do povo da Bahia. A história do culto ao santo tem início em 1740, quando o Capitão de Mar e Guerra, Theodósio de Faria, trouxe de Portugal uma imagem similar e no mesmo tamanho da que existia na cidade de Setúbal. Ela foi esculpida em pinho de riga, medindo 1,06 metro de altura.

Em 1745, a imagem foi guardada na Igreja da Penha, em Itapagipe, até a construção do templo de Nosso Senhor do Bonfim. No mesmo ano, foi fundada uma irmandade de devotos, a Devoção do Senhor do Bonfim. A única colina de Itapagipe foi escolhida para erguer a igreja, cuja construção durou de 1746 a 1772. Em 1754, a imagem foi transferida para o novo local de culto, onde está até os dias de hoje.

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