ENTREVISTA Fernando Ferrero | Presidente da Bahiatursa

“O Carnaval é sempre o ponto máximo de ebulição do turismo da Bahia”

O presidente da Bahiatursa, Fernando Ferrero, fala sobre as contratações, patrocínios e apoios da Empresa de Turismo da Bahia para o Carnaval

O presidente da Bahiatursa, Fernando Ferrero, fala sobre as contratações, patrocínios e apoios da Empresa de Turismo da Bahia para o Carnaval Foto: Rita Barreto/ Bahiatursa

Às portas do Carnaval de Salvador, o presidente da Bahiatursa, Fernando Ferrero, fala sobre as contratações, patrocínios e apoios da Empresa de Turismo da Bahia realizados no sentido de proporcionar uma grande festa para baianos e turistas. Salvador deve receber mais de 500 mil visitantes do próprio Estado, do Brasil e do exterior, que vão contar com receptivo no porto, aeroporto, dentre outros pontos da cidade, além do Serviço de Guias e Monitores e o Disque Bahia Turismo. A folia em sete bairros promete ser muito animada, bem como em 32 cidades do interior que recebem apoio direto da Bahiatursa. Blocos, afoxés, trios elétricos contam com patrocínio para proporcionar seis dias de diversão aos foliões. A seguir, a entrevista.

P – Entre as ações da Bahiatursa estão a contratação de quatro trios nos dois circuitos principais, o Carnaval em mais de 30 cidades do interior, nos bairros de Salvador e apresentações de reconhecidas estrelas da música baiana. Fale um pouco sobre os patrocínios.
Fernando Ferrero – Estamos contratando, através de licitação, quatro trios que vão servir à Bahiatursa, dois para tocar no Circuito Dodô (Barra-Ondina), dois no Circuito Osmar (Campo Grande), puxando o folião pipoca. No âmbito da Prefeitura Municipal, nós ainda temos ações com diversas associações de bairros, blocos independentes, blocos afros, totalizando uma faixa de 30 apoios. Apoiamos há cinco anos o Concurso Rainha do Carnaval, a banda do Habeas Copos, que saiu na semana passada e na quarta-feira. Estamos fazendo um convênio com a prefeitura no valor de R$1 milhão para a instalação de palcos em sete bairros: Periperi, Itapuã, Cajazeiras, Cabula, Nordeste de Amaralina, Largo 2 de Julho e Liberdade. Os outros seis palcos vão ser abertos à população. Além desse R$ 1 milhão, nós estamos disponibilizando R$ 800 mil para a contratação de artistas que vão tocar nesses palcos – contratação direta pelo Concar (Conselho do Carnaval). Aí se encerra nosso projeto de Carnaval, com um investimento de R$ 5,750 milhões no Carnaval de Salvador, incluindo a cota de patrocínio de R$ 3,150 milhões.

P – E no interior do Estado?
FF – No interior estamos apoiando 32 prefeituras, com investimento de R$ 1,3 milhão. Entre elas, Cachoeira, Caravelas, Rio de Contas, Mata de São João, Conde, Itaparica, Vera Cruz, Alcobaça, Prado e Porto Seguro. Estamos encaminhando uma cota de patrocínio para ajudar essas prefeituras a fazerem seus carnavais.  São prefeituras importantes que atraem turistas. 

P – Qual a expectativa em relação ao investimento? Como se pode reverter em benefício do ponto de vista turístico?
FF – Estamos esperando mais de 500 mil turistas. O benefício é o gasto desses turistas ao longo do Carnaval. Geralmente, os turistas que vêm a Salvador passam praticamente uma semana na cidade, aí você tem gasto de hotel, custo de abadá, compras, uma série de passeios turísticos que as pessoas fazem e de atrativos que a cidade oferece. Nossa expectativa é de que o turista gaste aproximadamente R$ 370 por dia.

P- Nota-se uma diversidade que vai desde a preocupação com a folia nos bairros ao receptivo de turistas.  Como foi pensada essa variedade de atrações?
FF – Nos nossos quatro trios elétricos, a gente vai ter um pouquinho de tudo. Claro que vai ter mais axé, mas temos um trio que vai tocar rock, arrocha. Está bem diversificada a nossa grade de atrações, porque acreditamos que o Carnaval é uma mistura de tudo, não é só axé. Você tem público na rua para todo tipo de gosto. Então, a gente pensou nesse sentido: é uma grade mais eclética, mais diversificada, tocando um pouquinho de tudo.

P – E em relação ao número de turistas em Salvador, como se dividem?
FF – Estamos esperando mais de 500 mil, cerca de 15 mil através de navios que devem atracar no Porto de Salvador. Acredito que a taxa de ocupação de hotéis deve se repetir em relação ao ano passado, quando tivemos perto de 98%. A gente está com uma divulgação boa. Devemos atrair muita gente do interior.

P – Mas temos que considerar também o número de visitantes que aluga casas, apartamentos ou vão para a casa de parentes e amigos.
FF – Acreditamos que, desses mais de 500 mil visitantes, apenas 30% a 40% se hospedam em hotéis. É muita gente, são cerca de 150 mil pessoas. O resto vai para casa de família, aluga casa. Entre aqueles que vêm do interior, muitos ficam em casa de parentes. Não podemos esquecer também de Porto Seguro: é o segundo maior Carnaval da Bahia, a  cidade  deve estar praticamente lotada. É um Carnaval que vai começar sábado e se estende até o outro domingo. São quase dez dias de Carnaval.  Todos os  hotéis lotados, você não acha hotel para ficar. 

P – Qual a importância do investimento nos carnavais de bairro de Salvador?
FF – Eu acho importante a preocupação da prefeitura de fazer esses palcos nos bairros. Você tira o foco da Avenida, dos três circuitos principais – Campo Grande, Barra, Batatinha (Centro Histórico), colocando nos bairros atrações boas, como vai ser este ano. Tem criança, tem idoso, nem todo mundo tem dinheiro para se deslocar para um circuito desses, com despesa de transporte, alimentação. A pessoa fica ali, no bairro dela, bebe por ali, consome por ali, se diverte por ali. Então, desafoga um pouco os circuitos. Fica mais tranquilo, mais viável para a população, porque fica perto de casa. Os bairros se movimentam também. Não é todo mundo que pode ir atrás do trio nem tem dinheiro para comprar o abadá.

P – O que está sendo pensado para o receptivo no Porto e  no Aeroporto, entre outros pontos de Salvador?
FF – Pelo sexto ano consecutivo, com a Setur (Secretaria do Turismo), vamos repetir o projeto de guias e monitores do Carnaval. Um projeto que é campeão e vem dando certo. É um sucesso no Carnaval de Salvador e ele também funciona em Porto Seguro e Ilhéus. São os guias que ficam nas ruas, atendendo aos turistas, fazem receptivo nos portos, aeroportos. Ficam em todos os grandes hotéis, uniformizados, dando informações sobre a cidade, tirando dúvidas dos turistas. Funciona em parceria com o Disque Bahia Turismo. Os turistas também podem utilizar o serviço do Disque Bahia Turismo, que funciona junto com os guias e monitores, que é o 3103-3103. Durante o Carnaval, são mais de dez idiomas que a gente atende, através dos guias. O projeto vem dando certo, tem resolvido muitos problemas em relação à facilidade de locomoção dos turistas.

P – E o bota-fora terá a mesma estrutura do receptivo?
FF – O bota-fora é seguindo nessa linha da chegada do turista. Também na saída do turista, de quarta a domingo, esse pessoal dá tchau para os turistas, apresentando a oportunidade de retornarem para o São João. Para o bota-fora deste ano, temos o São João e a Copa do Mundo. 

P – O que o turista pode esperar do Carnaval da Bahia?
FF – O Carnaval da Bahia é o maior Carnaval do mundo. Todo mundo de fora da Bahia e do interior da Bahia sonha muito em vir a conhecer. Quem já veio, tem vontade de voltar, e quem não veio, sonha um dia poder vir passar o Carnaval na Bahia. É um produto, um objeto de consumo. As pessoas têm o sonho de passar o Carnaval, de tantas histórias que proporciona. As pessoas têm muito o  que contar, das coisas que aconteceram, do período que eles passaram por aqui, a música, o trio elétrico, o circuito, os  amigos que fazem. O Carnaval é alegre, contagiante. As pessoas saem com a sensação de querer voltar e passar a ser multiplicadoras disso para outras pessoas. O Carnaval é sempre o ponto máximo de ebulição do turismo da Bahia. Por isso a preocupação do Governo do Estado de sempre fazer um bom Carnaval, com muita segurança,  para que as pessoas levem lembranças boas da Bahia. Isso é o que é mais importante.

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