Comerciantes aprovam a volta da fabricação das fitinhas do Bonfim no Estado

A fita do Bonfim fabricada na Bahia foi apresentada durante o fórum Foto: Rita Barreto/ Bahiatursa

A fita do Bonfim fabricada na Bahia foi apresentada durante  o Fórum de Turismo Foto: Rita Barreto/ Bahiatursa

Três pedidos, três nós e muita fé. Essa é a crença que envolve a tradição secular das fitinhas do Senhor do Bonfim, também conhecidas como “medidas”. Considerado um dos principais símbolos da religiosidade baiana, o artigo volta a ser fabricado no Estado após 20 anos e com mais uma novidade. Antes feitas em poliéster, as fitinhas agora serão produzidas em algodão, material mais fácil de romper naturalmente.

A novidade gerou boas expectativas nos comerciantes que vendem as “medidas” nos arredores da igreja. “Acredito que vai ser muito bom para nós, pois pode sair por um valor mais em conta”, disse Reginaldo Santos, que trabalha comercializando o artigo há 20 anos. Marconi Aquino compartilha da mesma opinião do colega de trabalho. “Vai ser melhor pra gente por ser a produção aqui no Estado”.

O coordenador administrativo da Devoção do Senhor Bom Jesus do Bonfim, Alexandre Cabadas, também aprovou: “Vai ser ótimo porque vai gerar emprego”, disse Cabadas, que ainda ressaltou: “As fitinhas também voltarão a ser produzidas em algodão, o material original. Dessa forma vai atender com mais facilidade os pedidos dos fiéis”, disse, referindo à crença que os pedidos são aceitos quando a fita rompe.

Os turistas também gostaram da novidade, principalmente do fato do material ser mais fácil de arrebentar. A professora paulista, Sandra Calvalcanti, que visita pela primeira vez a capital baiana, achou interessante as fitinhas serem confeccionadas aqui. “Já amarrei as minhas e fiz o meus pedidos, se conseguir realizá-los, voltarei. Acho que quando se fala em fé tudo é válido”, disse.

Sandra ainda ressaltou a beleza da igreja. “Eu já tinha escutado falar, mas não imaginava que era tão linda. Quis conhecer porque é um dos lugares que não podia deixar de visitar aqui em Salvador”.

A consultora Taís Fornícula, de São Paulo, fez questão de fazer seus pedidos e amarrar a fitinha no portão da Igreja. “Queria muito vir aqui. Eu acredito nesta crença e além de fazer meus pedidos, vou tirar fotos, porque é tudo muito lindo. Fiquei encantada”, disse Taís.

A Medida do Bonfim

As fitinhas do Senhor do Bonfim fazem parte da história da Bahia desde o século XVIII. Podem ser vistas nas grades da Igreja do Bonfim e nos braços de católicos baianos e turistas. Uma lenda em torno da fita aponta que os pedidos dos fieis são atendidos quando o acessório se rompe naturalmente.

Acredita-se que o português, Manuel Antônio da Silva Serva, que fundou e dirigiu a primeira tipografia da Bahia, tenha confeccionado as primeiras fitinhas

do Senhor do Bonfim. Diz a crença que a fita tem quase 50 centímetros, a medida do antebraço direito da imagem do Senhor do Bonfim, daí ter passado a ser conhecida como “a medida”.

Coloridas, as fitinhas têm uma tonalidade para cada orixá das religiões de matriz africana. O branco, por exemplo, representa o Senhor do Bonfim, no Catolicismo e o Oxalá, no Candomblé. Já o vermelho representa Santa Bárbara na Igreja e Iansã, no sincretismo religioso.

Produção artesanal e variada

De acordo com o coordenador da Cooperativa de Produtores de Artigos Religiosos e Culturais (Cooparc), Moisés Cafezeiro, a entidade vai gerir uma fábrica dedicada à produção artesanal variada de estatuetas, mobiliário sacro, além de velas e outros artigos, dentre eles, a tradicional fitinha do Senhor do Bonfim. “A fita que é vendida hoje não arrebenta, e os três pedidos aos santos dificilmente são atendidos. Vamos fazer um material em algodão e o santo vai voltar a fazer graças”, brincou.

O espaço, conforme Cafezeiro, funcionará na avenida Beira Mar, no bairro da Ribeira, Península de Itapagipe, e também contará com um memorial dos atrativos turísticos da Baía de Todos-os-Santos.

A superintendente de Serviços Turísticos da Setur, Cássia Magalhães, informa que a capacitação, que será voltada para profissionais que atuam no receptivo turístico das igrejas, terá 160 horas de duração e as aulas ocorrerão às segundas, quartas e sextas-feiras. O curso será ministrado pelo Sest/Senat e beneficiará 25 pessoas em sua primeira fase. A primeira aula será no dia 4 de dezembro.

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